#Futebol-Utawana: novo projeto da Ginga.Fc na região do Xingu.

 Vem aí o projeto #Futebol-Utawana!

Vem aí o projeto #Futebol-Utawana!

A Ginga.Fc nasceu impulsionada e inspirada por todas as formas de se jogar futebol. Somos fascinados em admirar o futebol acontecendo em sua forma mais simples, pura, transformadora e acessível para todos os povos e culturas. 

Dentro deste cenário, sempre carregamos uma profunda admiração e respeito pelos povos indígenas. E, no decorrer do desenvolvimento do nosso movimento, foi surgindo um interesse cada vez maior em entender, interagir, expressar e desenvolver a relação dos índios com o esporte mais popular do planeta.  

Já sabíamos que o futebol é um esporte regularmente praticado pelos povos indígenas. Mas havia chegado o momento de imergir mais de perto nesta cultura e comportamento. 

Mais uma experiência. Uma nova imersão e expedição nascendo. 

Lançamos então #Futebol-Utawana.

E a partir de hoje, 19 de abril (Dia do Índio) vamos começar a contar pra vocês todas os detalhes e processos deste nosso novo projeto. É o primeiro post de muita coisa que vem por aí!

Aldeia Utawana - Alto Xingu

Nosso destino: XINGU

O Parque Indígena do Xingu foi criado em 1961. É a primeira terra indígena homologada pelo governo. A área do parque conta com mais de 27.000 quilômetros quadrados. Atualmente, vivem no Xingu cerca de 6.000 índios de quatorze (14) etnias diferentes, pertencentes aos quatro troncos linguísticos indígenas do Brasil: caribe, aruaque, tupi e macro-jê. É nesta região onde será implementado o projeto #Futebol-Utawana

 

  • O CONTATO INICIAL: 

Através de amigos em comum, fomos introduzidos e apresentados para indígenas da etnia Mehinakos, residentes da Aldeia Utawana, no Alto Xingu. Foram algumas semanas de conversas prévias para organizar e planejar os detalhes da nossa primeira viagem para a região. Este processo envolveu todo o alinhamento, apresentação/introdução da Ginga.Fc para as lideranças indígenas locais. Projeto apresentado e aprovado. Era hora de viajar. 

Na bagagem, poucas roupas, alguns acessórios e bastante materiais esportivos. Na cabeça, duas certezas e vontades:

1) Conhecer uma nova região, explorar uma nova cultura e entender toda a sua relação com o futebol.

2) Iniciar o processo de colaboração e co-criação com a comunidade local e desenvolvimento de um projeto sócio-esportivo na aldeia que possa gerar impacto social positivo.

Estava começando a nossa primeira experiência no Xingu. 

  • A CHEGADA AO XINGU:

A primeira parte de nossa viagem foi de avião e com destino à cidade de Barra dos Garças/MT, município de 50.000 habitantes localizado na divisa do Mato Grosso com o estado de Goiás. Toda esta região é bastante conhecida pelos trabalhos com a produção de soja e criação de gado. 

De Barra dos Garças/MT em diante, nosso trajeto foi via terrestre e fluvial. A segunda etapa da viagem corresponde ao trajeto de Barra dos Garças para Canarana, uma cidade de 12.000 e que marca o início do território do Parque Indígena do Xingu. Este trajeto são 5 horas de micro-ônibus. Canarana é uma cidade que serve de apoio de saúde e centro comercial para diversas aldeias e etnias indígenas que vivem no Xingu. Existe também um posto da FUNAI na cidade. 

A terceira etapa da viagem é um trajeto de carro (em taxis especializados da região) de 2 horas até o município de Gaúcha do Norte/MT, uma pequena cidade de 6.000 habitantes. Este percurso é feito em estrada de terra e nele passamos em um ponte que fica sob o Rio Xingu. Foi possível sentir a força e visualizar a imensidão deste rio, que é o 10º maior do Brasil e possui cerca de 1979 Km de extensão. 

A Aldeia Utawana fica na região do Alto Xingu, que corresponde a parte sul do parque. A aldeia fica dentro do território do município de Gaúcha do Norte e a cidade acaba funcionando como polo de apoio para os moradores da aldeia. Do centro da cidade até a aldeia foram mais dois trechos. Um percurso de 40min em caminhão (os amigos Mehinakos foram com seu caminhão nos buscar em Gaúcha do Norte) e mais 20 minutos de barco pelo Rio Kurisevo, sendo este a última etapa da viagem até chegar a aldeia, que fica nas margens deste rio, que é uma afluente do Rio Xingu.

A partir dali, entramos totalmente em uma imersão dentro da cultura indígena. Foram 7 dias vivendo, morando e interagindo com os amigos Mehinakos

  • OS MEHINAKOS E A ALDEIA UTAWANA:

Os Mehinakos representam uma população aproximada de 900 indígenas. Antigamente todos eles viviam em uma única aldeia. Porém, aos poucos eles precisaram começar a se dividir para que todos tivessem oportunidade de plantar, caçar e comer em igualdade. Alguns índios permaneceram no local inicial e outros grupos foram explorar novas terras. Dividiram-se então em 4 aldeias. Todas elas dentro do território do Parque Indígena do Xingu.

Uma delas é a Aldeia Utawana, que tem 16 anos de existência e sempre foi liderada por um único cacique, que se chama Tukuyari Mehinako. Ele também é o pagé da aldeia e se mostrou muito hospitaleiro e atencioso conosco desde o início.

A aldeia possui 12 ocas e vivem por lá cerca de 180 índios, sendo homens, mulheres e crianças. A língua oficial dos Mehinakos é o Aruaque. Apenas as lideranças locais falam português com maior fluência. As crianças começaram a aprender português recentemente, após ser inaugurado uma escola pública do governo dentro da aldeia. Além da escola, a Aldeia Utawana também possui um posto de saúde. O governo federal é o responsável pela gestão destes estabelecimentos, que contam com o suporte e presença de profissionais, que dormem e vivem na aldeia em um rodízio quinzenal. 

Utawana fica às margens do Rio Kurisevo e a pesca é a principal atividade de sustento deles. A importância do rio para a aldeia é bastante significativa. Todos os dias os homens vão pescar em grupos ou sozinhos. Além de peixe, a mandioca é o outro principal alimento consumido e cultivado na aldeia.

Os Mehinakos são um povo bastante receptivo e interativo. Mesmo com as dificuldades de domínio da língua portuguesa, eles são bastante comunicativos e gostam de se relacionar com outros povos e culturas. São bastante civilizados em alguns aspectos. Mas também ainda cultivam diversos hábitos e costumes milenares da cultura indígena. São orgulhosos de sua etnia e origem. Gostam de festividades e celebrações. Constantemente realizam rituais de lutas e danças, conhecido como Kuarupi

São extremamente habilidosos com a prática do artesanato. Tanto as mulheres, que desenvolvem pulseiras, colares e artigos para roupas, como os homens, que desenvolvem bancos, remos e outros acessórios feitos em madeira. O artesanato é a principal fonte de renda deles. Alguns membros da aldeia já tiveram seus móveis de madeira expostos na SP-Arte (São Paulo) e em países da Europa. 

E o futebol na Aldeia?. Ah! Isso merece um capítulo à parte. ;)

Além de conhecer uma nova região e uma nova cultura, o principal objetivo desta viagem foi começarmos a desenvolver um trabalho de co-criação e desenvolvimento social no local. E, claro, usando o futebol como a principal ferramenta para fazer isso acontecer. 

Todas as descobertas, trocas e interações diárias foram fascinantes. Mas, naturalmente, nada nos chamou mais a atenção do que a grande presença do futebol na aldeia.

Nossa intenção com este projeto é, além de documentar e expressar a beleza e impacto do futebol no cotidiano dos povos indígenas,  poder desenvolver uma iniciativa que possa contribuir efetivamente com o apoio esportivo e social na aldeia. 

Seguindo nossa metodologia de trabalho, esta imersão inicial na Aldeia Utawana foi fundamental para entendermos melhor o contexto local e quais tipos de ações podemos priorizar para o desenvolvimento social da aldeia através do esporte.

Desde então o processo de troca e co-criação com os Mehinakos tem se intensificado e temos começado a planejar as nossas próximas execuções do projeto. A partir de hoje vamos começar a dividir com vocês todos os progressos e avanços da iniciativa e também diversas fotos e vídeos que expressem o futebol dentro da cultura indígena. 

É apenas o início, e muita coisa legal ainda vêm por aí, incluindo uma nova viagem ao local com um grupo maior de pessoas, #AgentesGingaFc.

Se você quiser embarcar nessa conosco e/ou acompanhar este projeto mais de perto. Basta nos mandar uma mensagem aqui que iremos manter você sempre atualizado. 

Obrigado por estarem conosco em mais uma iniciativa. 

Vem aí. #Futebol-Utawana. E feliz 'Dia do Índio!' =]