Ginga.Fc apresenta #AgentesTransformadores :: Raquel Freestlye - Episódio #01

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*Escrito por Christiane Mussi

O Futebol desperta muitos sonhos, de muitas formas. E existem milhares de histórias de vida que são escritas, impulsionadas e inspiradas por esse esporte que é alma do Brasil. 

O futebol é tanta coisa ao mesmo tempo, que fica até difícil definir. Mas, sobretudo, é uma joia capaz de transformar, educar, unir e emocionar de infinitas maneiras. É com esta crença que estamos tirando mais um projeto do campo das ideias.

Apresentamos a vocês o projeto #AgentesTransformadores, uma web-série desenvolvida pela Ginga.Fc e que terá o prazer de relatar histórias que o futebol teve a chance de ser transformador muito além das quatro linhas, operando como instrumento social e proporcionando mudanças de realidades. Através do esporte fortalecemos nossa busca por sonhos e superamos nossas limitações. 

O primeiro episódio conta a trajetória inusitada da Raquel Benetti, atleta de futebol freestlye. Outros relatos de pessoas de diversos nichos do universo do futebol serão abordadas.

Em um papo descontraído no Allianz Parque, Raquel Freestyle, como é conhecida internacionalmente pelo seu talento, abre a série com muito estilo. Talentosa nas embaixadinhas, ela fala que jamais imaginou chegar tão longe com uma bola. O segredo é não desistir.

“Eu queria ser boa no futebol freestyle, então eu treinava para isso. Eu não tinha o objetivo de tornar essa atividade minha profissão. Nem achava que seria possível ganhar dinheiro. Acho que as pessoas não sabem nem a metade da história. Quantas horas por dia eu passava treinando com a bola. Às vezes eu ficava mais de dois turnos, só parava para almoçar quando minha mãe me chamava. Tem certos tipos de dedicação que as pessoas não enxergam depois da fama”.

Na escola, Raquel chamava atenção por gostar de futebol. Certa vez a mãe precisou autorizar sua participação em um campeonato, justamente por ser a única mulher. Durante três anos também integrou o time juvenil feminino do Corinthians.  

“Na faixa dos meus 9 anos eu já me destacava bastante em relação aos outros. Sempre gostei de treinar para implicar com meu irmão, para ser melhor que ele. Eu lembro de um campeonato em que fui a única menina a jogar. Minha mãe teve que assinar um termo de responsabilidade, como se fosse algo perigoso. Eu era titular do time masculino da minha sala. Causava estranhamento.”

 Em abril de 2017,  Chris Mussi  produziu uma entrevista da  Raquel  para a  TV Rudaw , do Iraque, no  Parque do Ibirapuera , em São Paulo. 

Em abril de 2017, Chris Mussi produziu uma entrevista da Raquel para a TV Rudaw, do Iraque, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. 

Carismática e divertida, ela diz que seu grande sonho era ser famosa.

"Eu não sabia exatamente como, mas eu falava pra minha mãe que seria famosa. Deu certo. Encontrei meu talento por diversão (risos)"

O seu canal no Youtube e as mídias sociais tornaram o seu talento cada vez mais visualizado no mundo. Com isso, passaram a surgir convites para se apresentar em diversos países. Depois de realizar uma série de eventos internacionais e, em especial, na China, para onde viajou por duas vezes em 2013, Raquel passou a encarar a embaixadinha como uma profissão e passou a sonhar mais alto.

“Meu start no futebol foi na China. A repercussão do meu trabalho lá foi muito boa. Então eu voltei e falei que queria investir na arte do freestyle. Por isso que eu falo, acredita, vai atrás, não desiste, foi o que aconteceu comigo. Às vezes a gente precisa dar uma pausa no que sonha, mas não precisa esquecer. Tudo tem seu tempo".  

 

Trabalhar com comunicação e futebol me despertava interesse desde criança, e por dez anos trabalho com esse mercado. Mas sempre existe coisa nova e boa pra fazer. Em abril de 2017 fiz minha primeira produção internacional independente, quando realizei uma série especial de futebol para a TV Rudaw, do Iraque, e quando a minha história com o futebol cruzou com a da Raquel.

Apesar dos nomes concorridos como Bebeto, Romário, Robinho, entre outros, chegou um pedido para entrevistá-la. O conhecimento deles sobre o trabalho dela, obviamente me surpreendeu. Nos aproximamos, e foi quando apresentei a Ginga.Fc à ela, que é um projeto maravilhoso de um grande amigo, o Felipe Oliveira, com quem o futebol também me conectou através das mídias sociais, com o desejo de promover a transformação através dessa paixão. Eu cobria o time dele no campeonato brasileiro, e ele me convidou para colaborar nessa grande missão. E achamos a Raquel uma ótima história para dar esse ponta pé em ano de Copa do Mundo.

Depois que nos conhecemos, eu e Raquel passamos a sonhar com planos grandiosos para o freestyle, talvez inaugurando o primeiro recorde desse estilo no Guinness Book, o que seria muito ousado.

"Eu aceitaria esse desafio, principalmente esse ano por conta da Copa do Mundo. Mas estou preparada, precisaria intensificar os treinos, mas tenho condições de tentar se houver um apoio ou patrocínio" 

Como uma das articuladoras do movimento #deixaelatrabalhar, abordei o assunto do assédio e do respeito em relação ao que faz, justamente por usar shorts e tops, além de jogar futebol. Independentemente do tipo de trabalho, a mulher que encara o futebol como profissão ainda sofre pressão do universo masculino.

“Eu sofro muito preconceito. É difícil ganhar respeito. Uma mulher que faz embaixadinhas ser bonita passa por desconfianças que nenhum homem nas mesmas condições passaria. É difícil você se impor. O futebol ainda é um mundo muito masculino. Então vamos conquistando o nosso espaço, mas eles usam a sexualidade e a sensualidade como se fosse demérito. Tem muita gente que olha e fala que é sorte, mas eu sempre treinei muito”.

Hoje, com mais de 471 mil inscritos no seu canal no Youtube, e mais de 440 mil seguidores na sua conta de Instagram, ela entende como o futebol transformou a sua vida, e como essa influência nas redes pode ajudar a inspirar muitas outras crianças a não desistirem dos seus sonhos, principalmente em lugares onde a realidade não oferece muita oportunidade.

“Agora meninas e meninos me escrevem ou falam que gostariam de ser como a Raquel. Isso é muito gratificante. É a parte que mais me toca, poder ensinar uma manobra, ensinar um drible e ver que a criança mandou mensagem ou um vídeo mostrando que conseguiu executar. O mais importante, além de estar feliz,  é poder trazer a felicidade para as pessoas". 

Um dia muito feliz da vida dela, foi conhecer seu maior ídolo, Cristiano Ronaldo. E se fosse escolher algum ídolo para desafiar no talento, a resposta está na ponta da língua e na ponta do pé...

"Ronaldinho Gaúcho, seria um grande dia". 

Confira abaixo o vídeo completo do bate papo com a Raquel.  E em breve novas histórias vêm por aí!

#AgentesTransformadores - Episódio 01: Raquel Freestlye

[Ficha Técnica] 

Produção & Roteiro: Chris Mussi

Edição: Chris Mussi & Zack Romanelli

Texto: Chris Mussi

Idealização: Felipe Oliveira & Felipe Rigolizzo